terça-feira, 6 de novembro de 2012

MIDA VINHA.


A palavra tem potencia quando sai da boca.
A palavra tem potencia quando vem da memória e sai da boca.
A palavra tem potencia quando vem da memoria e sai da boca, em seguida indo pro papel.
A palavra deve ser ouvida, interpretada, lida.
A palavra deve ser interpretada.
A palavra deve ser vida.
A palavra deve ser  vivida.
A minha palavra é a minha vida.
Minha palavra.
Minha vida.
Mida Vinha.

Fábula Bonitinha


Nem era um objeto muito grande.
O alvo também não o era.
O objeto tinha a espessura de uma agulha bem pequenininha.
E o alvo era de um tecido com a aparência de um músculo humano mas de outra cor, com um interior cheio de boas lembranças e um cheiro de café fresquinho.
E a alvo foi atingido a primeira vez. Furou. Respirou e continuou.
Na segunda vez já tinha a lembrança implícita da primeira, então o susto não foi grande. Já a dor...
Mas a agulhinha pequenina não sentia nada. E ela achava que era muita indiferença do tecido não se afetar completamente com a presença dela, era um furo tão pequenininho, o tecido nem devia sentir. Ela precisava continuar a furar.
Então depois teve a terceira, quarta, quinta, trigésima sétima, centésima, milésima quinta...
E os buracos se juntavam, formando uma grande figura no tecido, com a aparência de uma flor.
Uma flor que ficava bem vermelha com o sangue que jorrava do tecido/músculo.
O alvo/tecido não entendia porque a agulhinha continuava com os furinhos pequeninos, mas profundos, que a modificavam. Eles a alteravam, violavam, invadiam, machucavam, marcavam, agrediam.
E a agulhinha continuava achando que ou o tecido era muito forte, porque continuava ali aguentando os furinhos, ou gostava muito do que recebia, já que no final o desenho formado era de uma flor. Uma flor vermelha. Vermelha como sangue.
Eles nunca conversaram sobre isso.
Ou até conversaram, mas o mundo particular de cada um era tão distante que as palavras perdiam o sentido um para o outro.
Então cada um continuou com sua função.
Agulha. Furo. Tecido. Dor. Silêncio. Fim.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

4 dias!


Começou com o nervoso de uma estréia. Em seguida a excitação de fazer o que impulsiona o ato de levantar-se todos os dias. Primeira batalha ganha! Vieram os amigos, a noite e a bohemia. No segundo dia o nervoso em ver tanta gente. Os amigos lá novamente. Segunda batalha ganha! A praça, a noite e a bohemia. Um grito, e um susto na escada que demorou passar. Passou. Aí um menino lindo com nome de anjo ganhou destaque no lado esquerdo do peito. E o caminho de casa nunca foi tão divertido. O menino anjo corria, um outro menino que cantava, pulava atrás do menino que corria (nunca tinha visto este tão feliz) . Atrás dos dois uma menina que sorria. Um beijo. Você sente vontade às vezes de ser um só, sabe essa sensação? Um sussuro. Outro dia. Falta de tempo pra pegar toda a letra. O início de uma parceria musical. Um português charlatão. Desabou água e felicidade no melhor show da vida. Um filme ruim com uma idéia boa. O lado esquerdo do braço esquerdo fica dormente. Billie Holiday e um poema. Gemidos. Hora do show. A menina com nome de flor. Com tempo pra respirar, com tempo pra ser bem mais que dois. Ele entra rastejando pelo chão. O joelho dobra sem que se perceba quando ouve o sussurro obtuso.  A flor grita a sua máscara, ópera, víbora. Equívoco. Batata-frita com feijão e gordurinha. O cinema tem uma preocupação com a imagem. Você tem um Blog?. Prima. Linda. Pressa. Sem ingresso. Muita volta na República e uma vontade do outro menino. Ele falou o que estava dentro.  Foi como se ela descobrisse um tesouro que saia pela boca do menino. Ele não sabe disso. Marcelinho e os 50 tons de cinza. O barulho do perfuminho assusta as vezes. Sono. Poema. Fim.

VARANDA


Várias pessoas à pararam na rua, bem no dia que ela precisava chegar rápido. 
Ela parou, falou e chegou. 
Bem na hora certa. Já a esperavam com a porta aberta. 
Ela sentou, conversou, contou como foi o show... 
Então ela estava sozinha. 
Apagou as luzes, ouviu Billie mais uma vez. 
Ela adora Billie. 
Ainda restava o último cigarro, a última cerveja e a varanda... 
Ah, a varanda... 
e todo o Arouche se acendeu para vê-la. 
E ela já não estava mais sozinha. 
Se sentiu cheia, transbordava dela mesma. 
E pra ela, isso bastava!